Boa Noite, Mãe

Posted in Costume, Gente, Para Ver by Pacha Urbano - Jun 19, 2016

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Quando assisti a primeira montagem de Boa Noite, Mãe, dirigida por Hugo Moss, não sabia absolutamente nada sobre o texto. Saí atravessado por inúmeras gavetas, em que cada uma estava repleta de temas delicados, espinhosos, inflamáveis e outros que não gostei de saber que ainda guardava. Saí parecido com aquela estátua de Salvador Dalí. Nessa nova montagem, apesar de ter lido (e relido) o texto, de já ter assistido (duas vezes!) a anterior, saí igualmente comovido, com o peito em brasa.

As atrizes Thais Loureiro e Fabianna de Mello e Souza, interpretando as personagens Jessie e Thelma, respectivamente, compõem outro jogo de engrenagens, uma dinâmica bem diferente da primeira, o que para alguém pouco familiarizado com teatro como eu é assombroso. Você aperta os braços da poltrona, ou a mão da pessoa do lado, e é conduzido em tempo real num duelo de gênios e emoções durante uma noite que parece infindável, apesar da tragédia anunciada. E isso não só pelo texto da Marsha Norman, que consegue nos agarrar com firmeza, mas pela intensidade com que as duas atrizes se entregam aquelas entidades, que são Thelma e Jessie, e se atiram naquela arena formada por uma sala de estar e uma cozinha. É arrebatadora a atuação de Fabianna, construindo uma Thelma tão diferente e ao mesmo tempo tão respeitosa ao texto original, com gestos, olhares e modulações na voz que nos faz acreditar conhecermos aquela pessoa, de realmente acharmos que se trata de alguém real do nosso convívio. E Thaís, impecável, incorporada em outra Jessie, ainda que a mesma, mas diferente, em outro nível de angústia em sua busca, em seu embate cauteloso, embora assertivo, com sua mãe.

Obras que tratam da relação mãe e filha despencam quase sempre na pieguice, mas Boa Noite, Mãe tem outros temperos, ora ácidos ora doces, como o álbum de quadrinhos Você é minha mãe?, de Alison Bechdel, tratando da maternidade e da filiação com bisturi e lentes de aumento, dissecando cada artéria dessa relação, fugindo da obviedade sacra de uma Maria de Nazaré, ou do tabu amaldiçoado de uma Medeia, mostrando como a pressão da cultura e da sociedade exercem sentimentos tão conflitivos na cabeça da gente.

Para as pessoas que gostam de se sentir desafiadas, que não sentem medo de olhar para os abismos familiares, a peça Boa Noite, Mãe é uma obra que nos faz aceitar as gavetas que não sabíamos ainda sermos atravessados.

BOA NOITE, MÃE (‘night, Mother) no Teatro Ipanema
(Rua Prudente de Morais 824,Ipanema, Rio de Janeiro)
Quartas e quintas, 20h
15 de junho a 7 de julho de 2016
Drama
95 minutos
Classificação: 16 anos
R$40,00(inteira)/ R$20,00(meia)/ R$15 (lista amiga)

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Toque de Midas

Posted in Gente, Para Ver by Pacha Urbano - May 06, 2016

Desde que comecei a publicar a série de tirinhas Filho do Freud tive oportunidade de participar de alguns debates sobre quadrinhos e conceder entrevistas para rádios, TVs, jornais, sites e revistas. Meus colegas quadrinistas podem confirmar, uma vez que passaram por experiências semelhantes, que as perguntas são praticamente as mesmas quase sempre. É comum também fazermos malabarismos retóricos para responder de maneira diferente as mesmas questões que nos fazem sobre nosso trabalho, numa franca tentativa de fugir da monotonia.

Foto por Lila Montezuma.

Foto por Lila Montezuma.

Ontem à noite aconteceu uma mesa de debates na SIQ – Semana Internacional de Quadrinhos da UFRJ 2016, sobre “Público e Crítica com Quadrinhos na Internet”, um título que sugeria muitas direções passíveis de caírem no lugar comum, mas que com a mediação magistral do Ricardo Labuto Gondim, autor dos livros B e Deus no Labirinto, a noite se tornou tremendamente mais interessante para os que assistiam, mas sobretudo para o Renato Lima, autor da Pocketscomics , e editor da Mosh! e Jukebox, e eu, escolhidos para debater.

O Ricardo tem um talento que admiro que é o de fazer brilhar os demais. Vejam: isso não é feito com lisonja e adulação. Esse brilho ele extrai através de apontamentos e provocações que nos ajuda a colocar para fora o que temos de melhor, muito semelhante ao método socrático. Atribuo a isso sua experiência e convivência com a música clássica.

Renato e eu fomos regidos pelo maestro Ricardo ontem à noite, sendo confrontados com perguntas desafiadoras e que mexiam com temas delicados, porém nenhuma pergunta era em vão, nenhuma pergunta sem estar devidamente contextualizada para o público e para nós debatedores. Suávamos frio antes e durante as nossas respostas e considerações. Estávamos felizes.

Experiência riquíssima!

Sou grato em ter como amigo um escritor que admiro e uma pessoa tão generosa e talentosa como ele.

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Vamos conversar

Posted in Para Ver by Pacha Urbano - Mar 03, 2016

Amigos, venho aqui convidá-los para um bate-papo comigo na II Jornada Sócio e Clínico Institucional de Psicologia da Universidade Veiga de Almeida.

Estarei lá no dia 15 de março, a partir das 19h, com o tema:
“Quem é este tal de Édipo? – Como fazer caber uma ideia ou uma teoria numa narrativa gráfica: os desafios de falar de Psicanálise num quadrinho.”

Falarei um pouco sobre processo criativo, escala e critérios de humor baseados nas obras do velho Freud. E após o evento, que é aberto ao público, haverá uma sessão de autógrafos, então quem não conseguiu ir no lançamento aqui do Rio ano passado, a hora é essa.

Dia 15/03, terça-feira, das 19h às 21h
Auditório da UVA – Universidade Veiga de Almeida
Rua Ibituruna, nº 120, Maracanã
(perto da estação do metrô São Cristóvão)

uva_pacha-(final)

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Está chegando!

Posted in Para Ver by Pacha Urbano - Aug 07, 2015

Filho do Freud Volume 2 - Onde está o meu falo?

Está aí a capa do volume 2 do Filho do Freud. O livro se chamará “As Traumáticas Aventuras do Filho do Freud – Onde está o meu falo?”, com personagens novos, dezenas de tirinhas inéditas, mais de vinte artistas convidados e um monte de surpresas. Aguardem que trago mais notícias em breve.

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TÉDIO Talks

Posted in Costume, Gente, Para Ver, Queixume by Pacha Urbano - May 20, 2015

Aquelas pessoas que te chamam pra conversar mas na verdade querem plateia para seus monólogos.

TEDIO_Talk

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Um equívoco simpático

Posted in Gente, Para Ver by Pacha Urbano -

Hoje vou compartilhar com vocês um pouquinho da experiência de criação do protagonista das tirinhas do Filho do Freud, o Jean-Martin.

A primeira vez que apareceu foi na tirinha que fiz no meu caderno de desenhos durante uma aula de Psicanálise e Educação, na faculdade, e ele tinha uma cueca na cabeça e uma toalha amarrada ao pescoço. Até este momento não tinha pensado em absolutamente mais nada a não ser isso.

Mais tarde, quando decidi fazer mais tirinhas, tratei de melhorá-lo e prepará-lo para todo tipo de travessuras, vesti-lo com fantasias diversas e alterar suas expressões faciais. Foi quando passei-o para o programa Adobe Illustrator e o digitalizei, refinando suas formas. Na hora o que pensei foi: “Garoto austríaco do século XIX, que parece comportado, com cabelinho penteado para o lado.” Este “austríaco” foi o suficiente para decidir a cor do cabelo como sendo loiro, por pensar no estereótipo do europeu.

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Muito tempo depois fiz uma pesquisa na internet para ver fotos dos filhos do Freud quando criança, e com muita dificuldade encontrei uma do Jean-Martin, e ele era bem diferente do personagem que eu havia desenhado. Eu havia ignorado que o próprio Freud tinha cabelos escuros quando mais jovem, bem como a própria Martha Bernays, sua esposa, e seus filhos puxaram essa característica deles. Tanto a Anna, a filha caçula, quanto o Jean-Martin, o primeiro filho homem (e os outros quatro filhos entre eles dois), tinham cabelos escuros.

Cheguei a pensar em mudar o cabelinho dele, mas já havia me afeiçoado demais pelo Jean-Martin para mexer em sua forma de maneira tão radical. Mas deixo aí o exemplo de como ele seria se eu fosse me ater à realidade histórica da família Freud. =)

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Estudando e se divertindo

Posted in Gente, Para Ver by Pacha Urbano - May 16, 2015

No dia 11 deste mês fui convidado pela Escola Parque, unidade Barra, a aplicar uma oficina de tirinhas para os alunos da primeira série do Ensino Médio durante a Semana Literária. A proposta partiu do professor de Química Alexander Fidellis, em que o projeto seria tratar dos conceitos básicos de química através da linguagem dos quadrinhos. A oficina seria a primeira etapa e a segunda seria a produção dos próprios alunos. Durante a oficina conversamos sobre as possíveis origens dos quadrinhos, contextualização histórica, estrutura narrativa, estruturas gráficas e até sobre pareidolia. E claro, todo mundo colocou a mão na massa!

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Aproveito para agradecer à Patrícia Cortês e ao Alexandre Fidellis, com quem tive enorme satisfação em trabalhar, mas principalmente à Sância Velloso pelo convite e confiança.

Atividades como esta me fazem acreditar que estou no caminho certo unidando arte e educação. =)

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Contra fatos não há argumentos

Posted in Gente, Para Ver, Queixume by Pacha Urbano - Mar 16, 2015

Imagem ilustrativa: Turma do Pererê, do Ziraldo, que não faz parte da AbraHQ e nem tem uma cadeira de "imortal" para si.

Imagem ilustrativa: Turma do Pererê, do Ziraldo, que não faz parte da AbraHQ e nem tem uma cadeira de “imortal” para si.

Ao contrário de tudo o que vem sendo falado pela presidente da Academia Brasileira de Histórias em Quadrinhos (AbraHQ), e alguns de seus membros, em entrevista para diversas mídias, a produção de histórias em quadrinhos nacionais está acontecendo com bastante disposição.

Como vocês poderão ver no link do blog da editora Quadrinópole, os dados liberados pelo site de financiamento coletivo Catar.se são claros: há produção nacional e há apoio à esta produção. Várias editoras pequenas, médias e grandes também continuam publicando HQs brasileiras feitas por brasileiros. Além, obviamente, de todas as iniciativas independentes, de coletivos de artistas a eventos.

Eu gostaria de ter enviado uma mensagem, comentado ou publicado o link abaixo com estes dados na página da AbraHQ, com intuito de ajudá-los a compreender um pouco melhor o cenário ATUAL dos quadrinhos brasileiros, mas aparentemente fui bloqueado por eles, acredito, por conta do meu texto falando minhas impressões sobre a inauguração de dita academia e depoimentos de seus membros. Lamentável.

Convém, entretanto, frisar: os quadrinhos brasileiros são produzidos, editados, divulgados e pesquisados como nunca. Não está morrendo não.

O link com informações:
https://quadrinhopole.wordpress.com/2015/03/13/catarse-quadrinhos-e-algumas-estatisticas/

 

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Uma rápida conversa sobre a vida

Posted in Costume, Gente, Para Ver by Pacha Urbano - Mar 09, 2015

FILHO_DO_FREUD_174

Filho do Freud #174
Colaboração: Estela Rosa, Ju Ribeiro e Daniela Bado

 

A luta contra o machismo e a misoginia é diária!

O caderno Filho do Freud – Cinema Mudo está à venda na Nerdwear:
https://nerdwear.com.br/cadernos/147-caderno-filho-do-freud-cinema-mudo.html

Curta a fanpage do Filho do Freud no Facebook e companhe as novidades que publico por lá: https://www.facebook.com/FilhoDoFreud

O livro do Filho do Freud está à venda em:
Livraria da Travessa: http://goo.gl/uxt445
Livraria Cultura: http://goo.gl/XnVGK5
Amazon: http://goo.gl/ObOM9N
Livraria Saraiva: http://goo.gl/fIUQ3w
Beleléu Shop: http://goo.gl/QOiy5E

[EN ESPAÑOL] Traducción: Liliana Rincón y Adriana Güereca Guel
[EN FRANÇAIS] Traduction: Dan Hassan
[IN ENGLISH] Translation: Bárbara Porto

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De boas intenções…

Posted in Para Ver, Zona by Pacha Urbano - Feb 24, 2015

Foto de divulgação

Foto de divulgação

Tem um pouco mais de uma semana que tomei conhecimento que havia sido inaugurada uma Academia Brasileira de Histórias em Quadrinhos (AbraHQ), o primeiro em que pensei foi: “Como é que só fiquei sabendo disso agora?” Porque em nenhum momento da gestação desta academia, eu que sou leitor, profissional e entusiasta das histórias em quadrinhos brasileiras, fui informado através de outros leitores, profissionais e entusiastas das HQs, de que se estava sendo organizado algo assim no Brasil, menos ainda no Rio de Janeiro, cidade em que vivo.

A notícia de sua fundação, no emblemático 30 de janeiro, data conhecida como Dia do Quadrinho Nacional, vem sendo repercutida em diversos sites, jornais e até telejornais e programas de rádio, mas sempre repetindo a mesma coisa: que foi fundada, que empossou 20 pessoas como “imortais” aos moldes da ABL (Academia Brasileira de Letras) numa cerimônia, que teria como objetivo preservar a memória dos quadrinhos brasileiros, através de um acervo estimado em 60 mil HQs raras e artes originais, e unir os profissionais pela valorização da profissão de quadrinistas.

As ideias de resgate histórico e valorização do profissional brasileiro de quadrinhos parecem boas, entretanto, os leitores, profissionais e entusiastas das histórias em quadrinhos não encontram disponíveis seu estatuto, critérios de escolha dos “imortais” que dão nome às 20 cadeiras, a escolha das pessoas que as ocuparam no dia 30 de janeiro e muito menos quais seriam as propostas para a união e valorização dos profissionais brasileiros de quadrinhos.

Em entrevistas de rádio, e alguns vídeos disponíveis no YouTube de depoimentos durante a cerimônia de inauguração, me preocuparam os relatos e discursos sobre a produção e o mercado de quadrinho nacional, distorcidos e díspares da realidade atual. O que mais percebi foi um constante lamento saudosista de que os profissionais de uma suposta era de ouro dos quadrinhos brasileiros estão ao relento, que a produção atual é pífia, que o quadrinho nacional praticamente está morrendo se algo não for feito. Eventos de quadrinhos grandes como a FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte) ou pequenos como tantos que pipocam pelo Brasil quase todo mês, desmentem veementemente este discurso. Além, obviamente, das seções de quadrinhos que só fazem crescer em livrarias, as leis de incentivo à produção cultural, como o ProAC em São Paulo, aos financiamentos coletivos (crowdfunding), enfim, todos os meios disponíveis hoje para que qualquer pessoa que queria produzir quadrinhos no Brasil possa publicar e comercializar seu material, sem nem mesmo precisar de intermediários como as editoras.

Fui investigar os nomes divulgados, seu papel nos quadrinhos nacionais e encontrei pouca gente atuante profissionalmente com HQ. Entre os “imortais” empossados pela AbraHQ há pessoas que pregam o Novo Integralismo (!), ufanistas que alardeiam boicotes contra a produção estrangeira de quadrinhos e perpetradores de teorias conspiratórias, entre elas (pasmem) que a Pixar plagiou personagens obscuros dos quadrinhos brasileiros e criou Os Incríveis, ou que a Marvel criou o Professor Charles Xavier, mentor dos X-Men, inspirado no médium brasileiro Chico Xavier e nunca deu crédito (como pode ser visto aqui). Estas seriam algumas das pessoas que ocupam cadeiras na AbraHQ, representando os leitores, profissionais e entusiastas das histórias em quadrinhos brasileiras, creiam ou não, concorde com isso ou não. Obviamente os verdadeiros atores dos quadrinhos nacionais se espantaram (alguns se revoltaram), afinal, entre outras coisas, pretendem reunir-se com a Secretaria de Cultura do Rio de Janeiro pedindo apoio em nome do quadrinho nacional. Dá para se preocupar ou não?

Percorrendo alguns grupos de leitores, profissionais e entusiastas dos quadrinhos as opiniões se dividem: há os que decididamente não pensam em levar a sério a AbraHQ, por se tratar de uma agremiação de amigos e colecionadores de quadrinhos, e os que se preocupam que a AbraHQ repercuta uma ideia completamente equivocada de mercado e papel dos leitores, profissionais e entusiastas dos quadrinhos brasileiros. O consenso geral é que o nome “Academia Brasileira de História em Quadrinhos” é inapropriado para os dias de hoje, que não redigiram e disponibilizaram aos leitores, profissionais e entusiastas das histórias em quadrinhos brasileira, e ao público em geral, um estatuto ou propostas de ação, mas tiveram tempo para criar diplomas e realizar cerimônia de posse e inauguração e divulgá-la a torto e a direito, e a ausência de nomes notoriamente importantes da produção e difusão das histórias em quadrinhos brasileiras, como Ziraldo, Maurício de Souza, Laerte, Angeli, Mutarelli, entre outros. Até o momento nenhum pronunciamento por parte da AbraHQ foi feito sobre estas questões.

Como leitor, profissional e entusiasta das histórias em quadrinhos brasileiras, é do meu interesse que quem quer que venha a se levantar publicamente como representante das histórias em quadrinhos brasileira esteja à altura de fazê-lo. Apesar de sua popularização, é uma arte vilipendiada, incompreendida e menosprezada pela opinião pública, e até mesmo pelo meio acadêmico, fazendo com que o profissional de quadrinhos, na figura de escritor, artista ou editor, seja desvalorizado, e seria extremamente desnecessário que agora que parece despontar um mercado de fato, as histórias em quadrinhos brasileiras sejam ainda mais ridicularizadas por uma representação anacrônica e inadequada à realidade.

Vamos acompanhar o desenvolvimento de tudo isso.

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