Auf Wiedersehen, Jean-Martin

Posted in Para Ver by Pacha Urbano - Aug 16, 2016

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Esta será a última tirinha do Filho do Freud.
Ou pelo menos será a última por tempo indeterminado.

Como sabem, publico indefectivelmente as tirinhas toda terça-feira, a partir das 13h, desde maio de 2012 e, desde 2014, passei também a publicar tirinhas novas às quintas-feiras. Nos primeiros anos, as tirinhas chegaram a ser publicadas simultaneamente em português, espanhol, francês e inglês. E, ainda hoje, mantenho as publicações em espanhol.

Durante este tempo, fui convidado a dar palestras, oficinas, participar de colóquios, simpósios, mesas de debate, publicações sobre Psicologia e Psicanálise, conceder entrevistas para jornais, revistas, blogs, sites, portais de notícias, rádios e canais de televisão, além de me envolver em vários projetos e eventos de quadrinhos e Psicanálise. Publiquei também três livros – um de minicontos e dois de quadrinhos – e mantive um projeto que é um livro de distribuição gratuita e intervenção urbana.

Tudo isso por conta deste meu trabalho com o Filho do Freud.

Sou muitíssimo grato a todos vocês que leem, comentam, compartilham, recomendam aos seus amigos e me enviam mensagens, assim como os que aguardaram incansavelmente nas filas de autógrafo durante os lançamentos dos livros e me receberam tão bem em suas cidades e universidades. Sou grato, em especial, a todas as pessoas que confiaram em mim e me convidaram a participar de eventos acadêmicos e de quadrinhos, acreditando que eu tivesse algo a dizer para os seus. Continuarei aceitando convites com muito carinho.

Não acredito, entretanto, que haja “muito obrigado” suficiente para dizer a todos que colaboraram direta ou indiretamente com as tirinhas ao longo destes anos, seja revisando, traduzindo para outros idiomas, enviando sugestões e ideias ou editando os livros. Vocês sabem quem são e sabem o lugar especial que habitam no meu coração.

A decisão não foi tomada sem que eu pensasse exaustivamente a respeito e também não foi sem algum pesar. Dormi e acordei ao longo desse tempo no seio dessa família louca. Criei enorme carinho pela ingenuidade e criatividade do Jean-Martin, aprendi muito sobre empatia com a Martha, desenvolvi minha perspicácia com a Senhorita Müller, destilei meu veneno através da Anna e sua acidez, aceitei a potência por trás da paciência de Helene, da contemplação existencialista da Sombra e da vontade de superação nas picardias do Doutor Jung. Entendi sobre ponderação com o Edgar e fidelidade ao que acredito com Jo-Fi. Com o velho Freud procurei olhar com estranheza para o que pensava ter entendido dos seus livros e tentei tingir tudo com humor e respeito em meu trabalho. Fecha-se, assim, este ciclo.

Para que a página siga viva, pretendo republicar, o mais regularmente possível, todas as tirinhas até aqui e assim vocês poderão ler e compartilhar sempre que quiserem.

O volume 1 e o volume 2 do Filho do Freud têm dezenas de tirinhas inéditas, então, aproveitem e comprem os livros! Os caderninhos também. O trabalho ainda não parou: em dezembro estarei em São Paulo para a CCXP. E para os que aguardam ansiosamente mais um livro, no começo do ano que vem será lançado o terceiro volume e espero que vocês todos continuem por aqui para saber mais a respeito!

Parafraseando o poeta, peço perdão por me estender tanto, mas não tive tempo de ser conciso.
Um abração em cada um de vocês!

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Boa Noite, Mãe

Posted in Costume, Gente, Para Ver by Pacha Urbano - Jun 19, 2016

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Quando assisti a primeira montagem de Boa Noite, Mãe, dirigida por Hugo Moss, não sabia absolutamente nada sobre o texto. Saí atravessado por inúmeras gavetas, em que cada uma estava repleta de temas delicados, espinhosos, inflamáveis e outros que não gostei de saber que ainda guardava. Saí parecido com aquela estátua de Salvador Dalí. Nessa nova montagem, apesar de ter lido (e relido) o texto, de já ter assistido (duas vezes!) a anterior, saí igualmente comovido, com o peito em brasa.

As atrizes Thais Loureiro e Fabianna de Mello e Souza, interpretando as personagens Jessie e Thelma, respectivamente, compõem outro jogo de engrenagens, uma dinâmica bem diferente da primeira, o que para alguém pouco familiarizado com teatro como eu é assombroso. Você aperta os braços da poltrona, ou a mão da pessoa do lado, e é conduzido em tempo real num duelo de gênios e emoções durante uma noite que parece infindável, apesar da tragédia anunciada. E isso não só pelo texto da Marsha Norman, que consegue nos agarrar com firmeza, mas pela intensidade com que as duas atrizes se entregam aquelas entidades, que são Thelma e Jessie, e se atiram naquela arena formada por uma sala de estar e uma cozinha. É arrebatadora a atuação de Fabianna, construindo uma Thelma tão diferente e ao mesmo tempo tão respeitosa ao texto original, com gestos, olhares e modulações na voz que nos faz acreditar conhecermos aquela pessoa, de realmente acharmos que se trata de alguém real do nosso convívio. E Thaís, impecável, incorporada em outra Jessie, ainda que a mesma, mas diferente, em outro nível de angústia em sua busca, em seu embate cauteloso, embora assertivo, com sua mãe.

Obras que tratam da relação mãe e filha despencam quase sempre na pieguice, mas Boa Noite, Mãe tem outros temperos, ora ácidos ora doces, como o álbum de quadrinhos Você é minha mãe?, de Alison Bechdel, tratando da maternidade e da filiação com bisturi e lentes de aumento, dissecando cada artéria dessa relação, fugindo da obviedade sacra de uma Maria de Nazaré, ou do tabu amaldiçoado de uma Medeia, mostrando como a pressão da cultura e da sociedade exercem sentimentos tão conflitivos na cabeça da gente.

Para as pessoas que gostam de se sentir desafiadas, que não sentem medo de olhar para os abismos familiares, a peça Boa Noite, Mãe é uma obra que nos faz aceitar as gavetas que não sabíamos ainda sermos atravessados.

BOA NOITE, MÃE (‘night, Mother) no Teatro Ipanema
(Rua Prudente de Morais 824,Ipanema, Rio de Janeiro)
Quartas e quintas, 20h
15 de junho a 7 de julho de 2016
Drama
95 minutos
Classificação: 16 anos
R$40,00(inteira)/ R$20,00(meia)/ R$15 (lista amiga)

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Toque de Midas

Posted in Gente, Para Ver by Pacha Urbano - May 06, 2016

Desde que comecei a publicar a série de tirinhas Filho do Freud tive oportunidade de participar de alguns debates sobre quadrinhos e conceder entrevistas para rádios, TVs, jornais, sites e revistas. Meus colegas quadrinistas podem confirmar, uma vez que passaram por experiências semelhantes, que as perguntas são praticamente as mesmas quase sempre. É comum também fazermos malabarismos retóricos para responder de maneira diferente as mesmas questões que nos fazem sobre nosso trabalho, numa franca tentativa de fugir da monotonia.

Foto por Lila Montezuma.

Foto por Lila Montezuma.

Ontem à noite aconteceu uma mesa de debates na SIQ – Semana Internacional de Quadrinhos da UFRJ 2016, sobre “Público e Crítica com Quadrinhos na Internet”, um título que sugeria muitas direções passíveis de caírem no lugar comum, mas que com a mediação magistral do Ricardo Labuto Gondim, autor dos livros B e Deus no Labirinto, a noite se tornou tremendamente mais interessante para os que assistiam, mas sobretudo para o Renato Lima, autor da Pocketscomics , e editor da Mosh! e Jukebox, e eu, escolhidos para debater.

O Ricardo tem um talento que admiro que é o de fazer brilhar os demais. Vejam: isso não é feito com lisonja e adulação. Esse brilho ele extrai através de apontamentos e provocações que nos ajuda a colocar para fora o que temos de melhor, muito semelhante ao método socrático. Atribuo a isso sua experiência e convivência com a música clássica.

Renato e eu fomos regidos pelo maestro Ricardo ontem à noite, sendo confrontados com perguntas desafiadoras e que mexiam com temas delicados, porém nenhuma pergunta era em vão, nenhuma pergunta sem estar devidamente contextualizada para o público e para nós debatedores. Suávamos frio antes e durante as nossas respostas e considerações. Estávamos felizes.

Experiência riquíssima!

Sou grato em ter como amigo um escritor que admiro e uma pessoa tão generosa e talentosa como ele.

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Vamos conversar

Posted in Para Ver by Pacha Urbano - Mar 03, 2016

Amigos, venho aqui convidá-los para um bate-papo comigo na II Jornada Sócio e Clínico Institucional de Psicologia da Universidade Veiga de Almeida.

Estarei lá no dia 15 de março, a partir das 19h, com o tema:
“Quem é este tal de Édipo? – Como fazer caber uma ideia ou uma teoria numa narrativa gráfica: os desafios de falar de Psicanálise num quadrinho.”

Falarei um pouco sobre processo criativo, escala e critérios de humor baseados nas obras do velho Freud. E após o evento, que é aberto ao público, haverá uma sessão de autógrafos, então quem não conseguiu ir no lançamento aqui do Rio ano passado, a hora é essa.

Dia 15/03, terça-feira, das 19h às 21h
Auditório da UVA – Universidade Veiga de Almeida
Rua Ibituruna, nº 120, Maracanã
(perto da estação do metrô São Cristóvão)

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Está chegando!

Posted in Para Ver by Pacha Urbano - Aug 07, 2015

Filho do Freud Volume 2 - Onde está o meu falo?

Está aí a capa do volume 2 do Filho do Freud. O livro se chamará “As Traumáticas Aventuras do Filho do Freud – Onde está o meu falo?”, com personagens novos, dezenas de tirinhas inéditas, mais de vinte artistas convidados e um monte de surpresas. Aguardem que trago mais notícias em breve.

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TÉDIO Talks

Posted in Costume, Gente, Para Ver, Queixume by Pacha Urbano - May 20, 2015

Aquelas pessoas que te chamam pra conversar mas na verdade querem plateia para seus monólogos.

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Um equívoco simpático

Posted in Gente, Para Ver by Pacha Urbano -

Hoje vou compartilhar com vocês um pouquinho da experiência de criação do protagonista das tirinhas do Filho do Freud, o Jean-Martin.

A primeira vez que apareceu foi na tirinha que fiz no meu caderno de desenhos durante uma aula de Psicanálise e Educação, na faculdade, e ele tinha uma cueca na cabeça e uma toalha amarrada ao pescoço. Até este momento não tinha pensado em absolutamente mais nada a não ser isso.

Mais tarde, quando decidi fazer mais tirinhas, tratei de melhorá-lo e prepará-lo para todo tipo de travessuras, vesti-lo com fantasias diversas e alterar suas expressões faciais. Foi quando passei-o para o programa Adobe Illustrator e o digitalizei, refinando suas formas. Na hora o que pensei foi: “Garoto austríaco do século XIX, que parece comportado, com cabelinho penteado para o lado.” Este “austríaco” foi o suficiente para decidir a cor do cabelo como sendo loiro, por pensar no estereótipo do europeu.

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Muito tempo depois fiz uma pesquisa na internet para ver fotos dos filhos do Freud quando criança, e com muita dificuldade encontrei uma do Jean-Martin, e ele era bem diferente do personagem que eu havia desenhado. Eu havia ignorado que o próprio Freud tinha cabelos escuros quando mais jovem, bem como a própria Martha Bernays, sua esposa, e seus filhos puxaram essa característica deles. Tanto a Anna, a filha caçula, quanto o Jean-Martin, o primeiro filho homem (e os outros quatro filhos entre eles dois), tinham cabelos escuros.

Cheguei a pensar em mudar o cabelinho dele, mas já havia me afeiçoado demais pelo Jean-Martin para mexer em sua forma de maneira tão radical. Mas deixo aí o exemplo de como ele seria se eu fosse me ater à realidade histórica da família Freud. =)

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Estudando e se divertindo

Posted in Gente, Para Ver by Pacha Urbano - May 16, 2015

No dia 11 deste mês fui convidado pela Escola Parque, unidade Barra, a aplicar uma oficina de tirinhas para os alunos da primeira série do Ensino Médio durante a Semana Literária. A proposta partiu do professor de Química Alexander Fidellis, em que o projeto seria tratar dos conceitos básicos de química através da linguagem dos quadrinhos. A oficina seria a primeira etapa e a segunda seria a produção dos próprios alunos. Durante a oficina conversamos sobre as possíveis origens dos quadrinhos, contextualização histórica, estrutura narrativa, estruturas gráficas e até sobre pareidolia. E claro, todo mundo colocou a mão na massa!

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Aproveito para agradecer à Patrícia Cortês e ao Alexandre Fidellis, com quem tive enorme satisfação em trabalhar, mas principalmente à Sância Velloso pelo convite e confiança.

Atividades como esta me fazem acreditar que estou no caminho certo unidando arte e educação. =)

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Contra fatos não há argumentos

Posted in Gente, Para Ver, Queixume by Pacha Urbano - Mar 16, 2015

Imagem ilustrativa: Turma do Pererê, do Ziraldo, que não faz parte da AbraHQ e nem tem uma cadeira de "imortal" para si.

Imagem ilustrativa: Turma do Pererê, do Ziraldo, que não faz parte da AbraHQ e nem tem uma cadeira de “imortal” para si.

Ao contrário de tudo o que vem sendo falado pela presidente da Academia Brasileira de Histórias em Quadrinhos (AbraHQ), e alguns de seus membros, em entrevista para diversas mídias, a produção de histórias em quadrinhos nacionais está acontecendo com bastante disposição.

Como vocês poderão ver no link do blog da editora Quadrinópole, os dados liberados pelo site de financiamento coletivo Catar.se são claros: há produção nacional e há apoio à esta produção. Várias editoras pequenas, médias e grandes também continuam publicando HQs brasileiras feitas por brasileiros. Além, obviamente, de todas as iniciativas independentes, de coletivos de artistas a eventos.

Eu gostaria de ter enviado uma mensagem, comentado ou publicado o link abaixo com estes dados na página da AbraHQ, com intuito de ajudá-los a compreender um pouco melhor o cenário ATUAL dos quadrinhos brasileiros, mas aparentemente fui bloqueado por eles, acredito, por conta do meu texto falando minhas impressões sobre a inauguração de dita academia e depoimentos de seus membros. Lamentável.

Convém, entretanto, frisar: os quadrinhos brasileiros são produzidos, editados, divulgados e pesquisados como nunca. Não está morrendo não.

O link com informações:
https://quadrinhopole.wordpress.com/2015/03/13/catarse-quadrinhos-e-algumas-estatisticas/

 

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Uma rápida conversa sobre a vida

Posted in Costume, Gente, Para Ver by Pacha Urbano - Mar 09, 2015

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Filho do Freud #174
Colaboração: Estela Rosa, Ju Ribeiro e Daniela Bado

 

A luta contra o machismo e a misoginia é diária!

O caderno Filho do Freud – Cinema Mudo está à venda na Nerdwear:
https://nerdwear.com.br/cadernos/147-caderno-filho-do-freud-cinema-mudo.html

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O livro do Filho do Freud está à venda em:
Livraria da Travessa: http://goo.gl/uxt445
Livraria Cultura: http://goo.gl/XnVGK5
Amazon: http://goo.gl/ObOM9N
Livraria Saraiva: http://goo.gl/fIUQ3w
Beleléu Shop: http://goo.gl/QOiy5E

[EN ESPAÑOL] Traducción: Liliana Rincón y Adriana Güereca Guel
[EN FRANÇAIS] Traduction: Dan Hassan
[IN ENGLISH] Translation: Bárbara Porto

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