O primeiro mini conto que publiquei entitulado “Vidas Desapercebidas” foi no dia 11 de setembro de 2001. Cheguei ao trabalho pela manhã com a cabeça fervilhando de uma cena que vi na Central do Brasil entre uma camelô e um sujeito que trocava vale-transporte por dinheiro. Sentei, escrevi o mini conto no meu antigo blog, Grita Da Grade, e cliquei em “Enviar”. Em seguida me dei conta que todos do escritório estavam na sala de TV da empresa e um avião havia se chocado contra uma das torres do World Trade Center. Foi neste dia que começou minha tímida jornada literária. Semanas depois um amigo, o jornalista Rodrigo Lima, me chamou e disse que bom mesmo seria se se chamasse “Vidas Despercebidas” e não “desapercebidas”. E assim o fiz.
Ao longo dos anos fui publicando estes exercícios narrativos em forma de pílulas de texto, histórias curtas e baseadas na vida das pessoas, em causos que me contaram, experiências que vivi, e estes foram se avolumando. Em dado momento criei um blog só para estes mini contos e chamei-o “Transeuntes”. Até que em algum momento deixei tudo para lá, não quis mais saber de escrevê-los.
Porém, recebia mensagens e emails de amigos e leitores que não conhecia pessoalmente pedindo mais mini contos e voltei devagar. O último Vidas Despercebidas publicado foi de número 78, não lembro o nome do conto nem qual era, mas lembro que a intenção era tirá-los do ar, reuni-los todos em forma de livro e tentar conseguir algum edital de fomento à Literatura ou apoio a novos escritores para publicá-lo. Escrevi outros mini contos até formar 100 e enviei para alguns concursos mas nunca obtive resposta. Também mandei para algumas editoras e nunca fui bem recebido.
Uma amiga sabia deste meu interesse em publicá-los e me sugeriu que enviasse para uma editora conhecida dela. Maria Matina, uma das diretoras da Casa Benet Domingo, me estimulou a publicar o Vidas Despercebidas quando já havia desistido dele. Entre indas e vindas, trocas de mãos, editoras que se acabaram e outras que se criaram – eu praticamente desacreditado de sua publicação – o recém criado Grupo 5W me procurou com interesse em publicá-lo e daí em diante tudo se deu com ligeireza. O livro finalmente nasceu pela Editora Verve .
Vidas Despercebidas contou com muitos beta readers, colaboradores e uma ciranda de amigas que ajudaram a organizar os contos na ordem como se apresentam no livro, bem como dois artistas que prontamente apoiaram a ideia desta publicação. O primeiro foi o fotógrafo Alexandre Pereira, carioca residindo em Porto Alegre, que cedeu dez trabalhos seus exclusivamente para ilustrar os contos, todos de uma sensibilidade sem nome, e o segundo o artista plástico Matias Mesquita, que emprestou sua obra CONTRABANDO, em que pintou pessoas anônimas a óleo em pedras portuguesas de calçamento, para dar um rosto (ou rostos?) ao livro, garantindo uma capa belíssima e que dialoga completamente com os contos no interior do livro. Ambos trabalhos são uma exposição permanente em meu livro. E outra pessoa a quem agradeço é minha amiga Bárbara Porto, que nos primeiros anos do Vidas Despercebidas o acompanhava desde a Califórnia, onde vivia, e que fez a orelha do livro com tanto carinho que sempre me comovo ao lê-la. A todas estas pessoas envolvidas eu acho um “muito obrigado” muito pouco.
O dia do lançamento foi um dos mais bonitos da minha vida, daqueles que ficarão para sempre em cartaz no cinema da minha memória. Foi um desfile de amigos e pessoas queridas que passaram diante da minha vida a me prestigiar. Alguns faziam parte da minha história, outros passariam a fazer, e muitos ali tinham sido transformados em contos também. Vi amigos que não via há anos, gente que tinha vindo de outra cidade, outro estado, gente que vinha de longe. Gente que não se aborreceu por esperar na fila para conseguir um autógrafo e um abraço. Fila esta que sempre me pareceu tão improvável e que se fez ali diante de mim. Nunca me esquecerei de vocês.
Neste mesmo dia foram distribuídos vários exemplares de outro projeto meu, O Pequeno Livro Ao Acaso, numa edição especial e exclusiva em parceria com a Cyan Studio, empresa cujo seus diretores, Fernanda Vasconcelos e Marcos Forte, apoiam e incentivam projetos criativos como este, e a quem sou muito grato. Não tenho dúvida que nossa parceria será duradoura. Mas mais grato ainda sou à minha incansável amiga, Estela Rosa, que apresentou o projeto a eles e está sempre no front de batalha comigo.
A história de nascimento destes contos, de sua encarnação impressa em forma de livro, suas idas e vindas da gaveta, da sua jornada para conseguir editora, conseguir ganhar nova vida, e todos os projetos e fatos que estão por trás dele, alguns mesmo sobrenaturais, tudo é prova de que nenhuma vida deveria passar despercebida. O cerne do meu trabalho, percebi, é a memória, é o registro daquilo que nos é tão fugidio e esfumaçado, difícil de se captar. Quis com aquelas histórias, mesmo as inventadas, fazer um registro de toda esta gente que nos são invisíveis, todas estas histórias de vida que acontecem e se desvanecem sem que ninguém as perceba. Espero ter conseguido pescar algumas e dar-lhes novo corpo. Espero ter feito algumas pessoas pensarem nelas, porque como disse em O Pequeno Livro Ao Acaso, nossas memórias sobrevivem a nós quando passam a ser as memórias de outras pessoas.
Para os que quiserem comprar o livro Vidas Despercebidas ele já se encontra disponível aqui: http://www.livrariareliquia.com.br/vidas-despercebidas.html
E para os que gostam das histórias e querem compartilhar suas experiências, ver projetos semelhantes que encontro por aí e saber um pouco sobre como nasceram alguns contos, basta curtir a fanpage no Facebook, que é esta: https://www.facebook.com/VidasDespercebidas
Quem tiver o livro e quiser marcá-lo ou resenhá-lo no Skoob a página é: https://www.skoob.com.br/livro/316198
COMMENTSEste desenho foi feito para inspirar um texto, que é uma das atividades do grupo Caneta, Lente e Pincel, a qual faço parte. O conto foi escrito por Danielle Schlossarek e se chama “A indefinível e inesgotável tristeza do pequeno rei que precisava tomar decisões”, que vocês podem ler na página do grupo no Facebook.
COMMENTSSaiu na Revista Ilustrar
Posted in Para Ver by Pacha Urbano - Jan 17, 2013
Ilustrações minhas que saíram na Revista Ilustrar, número 29, para um artigo do Renato Alarcão sobre estudar artes no exterior.
Você pode baixar todas as edições da Revista Ilustrar, com matérias sobre a profissão de ilustrador, dicas, passo a passo, portifólio de diversos artistas nacionais e estrangeiros, e muito mais no site: http://www.revistailustrar.com
COMMENTSComeço o ano inaugurando um caderno de desenhos que ganhei da minha amiga Letícia Reis, e aproveito também para começar uma nova série de desenhos. Serão personagens dos livros que li e como os imaginei, ou ainda, como os tenho na minha memória passados estes anos. Muito provavelmente serão bem diferentes do que vocês imaginaram e também diferentes algumas vezes de como os autores os escreveram. O principal motor desta série é a memória que tenho deles. Será também uma ótima oportunidade de continuar brincando com vários estilos, como costumo fazer em meus cadernos.
O primeiro é o velho da venda preta, personagem do meu livro favorito, Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago. Sempre o imaginei português, destes senhores mais magros, com o pescoço mole, e de boina. Também não imaginava que a “venda preta” seria um tapa-olho, como retratado no filme, senão que fosse uma faixa preta que envolveria sua cabeça e tapasse seu olho cego.
Espero que tenham gostado! Vocês podem vê-lo em dois momentos AQUI e também AQUI.
COMMENTSPresentes divertidos de Natal
Posted in Para Ver by Pacha Urbano - Dec 14, 2012
Teste de animação
Posted in Para Ver by Pacha Urbano - Nov 04, 2012
Fuçando em coisas antigas achei este exercício de intercalação em animação e fiquei contente. Faz tempo não animo nada assim no papel e bateu até uma saudade.
COMMENTSO ser humano sempre esteve desconfortável consigo mesmo e buscou diversas formas de suavizar esse pesar. A terapia é mais uma forma que criamos de praticar esse desafogo e conhecermos melhor a nós próprios. A animação Garra Rufa (Doctor Fish) demonstra isso com muita sensibilidade, nos apresentando o périplo atravessado por um psicoterapeuta. É linda!
Garra Rufa (Doctor Fish) from Eunice Hwang on Vimeo.
Obrigado a Letícia Reis e a Contato em Saúde por essa joia.
COMMENTSE a rabiscação continua
Posted in Para Ver by Pacha Urbano - Oct 11, 2012
Nem com tanta voracidade como eu gostaria, mas com alguns resultados interessantes, continuo fazendo experiências com estilo, limitações, velocidade e variações de canetas e marcadores. Tem sido divertido. Vejam aí.

















